Resumo do texto “Concepções sobre a Avaliação Escolar” Autora: Mary Stela Ferreira Chueiri
A avaliação é um processo presente em todas as atividades humanas, seja por meio de reflexões informais, ou por meio de reflexões organizadas e sistemáticas que definem tomadas de decisões. Nesse segundo caso, menciona-se o exemplo da avaliação no contexto escolar, que pode se realizar conforme objetivos implícitos ou explícitos e atua desde os momentos iniciais - até os conclusivos – estando sempre a serviço de um projeto ou de um conceito teórico.
Por esse motivo, tem-se a ideia de que essa atividade não é neutra ou destituída de intencionalidade, de forma que está estritamente ligada à natureza do conhecimento. Entende-se então que a avaliação é dimensionada por um modelo teórico de mundo, de ciência e de educação, traduzida em prática pedagógica.
Ao professor cabe interpretar e atribuir sentidos à avaliação escolar. Tal condição induz a indagação central da pesquisa que propõe resgatar o significado de avaliação nas concepções pedagógicas do contexto escolar a partir do século XVI, como forma de identificar concepções pedagógicas subjacentes à atual prática de avaliação escolar.
Dessa forma, foram utilizadas quatro categorias para a análise da relação entre as concepções pedagógicas e os significados de avaliação, sendo estas: Examinar para avaliar, Medir para avaliar, Avaliar para classificar ou para Regular e Avaliar para qualificar.
A primeira categoria, Examinar para avaliar, remonta às práticas de avaliação na forma de exames e provas comumente usadas em colégios católicos a partir do século XVI. Resquícios desse tipo de prática podem ser encontrados em práticas nacionais de avaliação, como por exemplo, o Exame Nacional do Ensino Médio.
A segunda categoria, Medir para avaliar, a possibilidade de mensuração de comportamentos por meio de testes de inteligência propiciou a expansão de uma cultura dos testes e medidas na educação. Está relacionada à ideia de que a aprendizagem pode ser quantificada e medida, e dessa forma, fundamenta a chamada “Pedagogia Tecnicista”. Nessa perspectiva, visa a comprovação do rendimento do aluno com base nos objetivos predefinidos, e a avaliação é reduzida à medida e separa o processo de ensino do seu resultado.
A terceira categoria, Avaliar para classificar ou para regular, consiste em uma das mais tradicionais na escola e refere-se à possibilidade de classificar o desempenho do aluno por meio da avaliação. Também diz respeito à certificação, isto é, o diploma. Divide-se em duas lógicas não necessariamente excludentes: a formativa e a somativa.
Na quarta categoria, Avaliar para qualificar, surge da reação às concepções tecnicista e quantitativa da avaliação, um rápido desenvolvimento de enfoques de avaliação alternativos, com pressupostos éticos, epistemológicos e teóricos bem diferentes, sendo então a avaliação qualitativa. Esta possui um delineamento flexível, que permite um enfoque progressista, centrado em processos e que evolui em virtude de descobertas sucessivas. Configura-se ainda como um modelo em transição por ter como centralidade a compreensão dos processos dos sujeitos e da aprendizagem, produzindo uma ruptura com a primazia do resultado característico do processo quantitativo.


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